Staunch Book: prêmio de melhor thriller sem violência contra a mulher

15 de fevereiro de 2018 - Por

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Um novo prêmio literário chegou com a intenção de transformar o mundo das histórias de suspense. O Staunch Book Prize premiará thrillers em que nenhuma mulher é espancada, perseguida, sexualmente explorada, estuprada ou assassinada. A ideia é da escritora e roteirista britânica Bridget Lawless e também tem a intenção de atingir o cinema e a TV, já que esse é um dos gêneros mais adaptados para as telas.

Para participar, as obras precisam estar em inglês (original ou tradução) e o livro pode ter sido publicado até 18 meses antes do encerramento das inscrições, que começaram dia 22 de fevereiro e vão até o dia 15 de julho. O vencedor será anunciado em 25 de novembro e receberá 2 mil libras – o equivalente a cerca de R$ 9 mil.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Bridget contou que decidiu lançar o prêmio depois de ver o aumento de obras indicadas ao Bafta – o Oscar britânico – em que utilizavam o estupro apenas para dar continuidade na história. Ela, que tem o direito de voto no festival, se recusou a participar da edição de 2017 após as acusações de abuso sexual contra o produtor Harvey Weinstein.

“Eu pensei, eu posso fazer uma pequena coisa. E comecei com os livros. Eles são uma fonte de muito material, e se eu puder ter uma pequena influência lá, isso ajudará”, disse ela ao jornal. “Existem tantos livros em que as mulheres são estupradas ou assassinadas por um investigador ou herói para mostrar suas habilidades. Isso é sobre escritores que não precisam relacionar suas histórias à violência sexual.”

Uma mudança de estereótipos

Uma das autoras mais conhecidas do gênero de suspense é a britânica Agatha Christie, com 82 obras publicadas. Ela é conhecida como a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular mundial em número total de livros vendidos, com cerca de quatro bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI. “Vemos em Agatha espiãs mais espertas e até mesmo detetives mulheres, mas isso costumava ser uma exceção. O mundo dos thrillers sempre foi pautado por estereótipos. São histórias em que a mulher é a personagem assassinada, estuprada, molestada ou o oposto, a manipuladora e má porque seduz os detetives é a espiã”, comenta Juliana Gomes, coordenador do Leia Mulheres.

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Para ela, o aumento de autoras do gênero, que ocorreu há cinco anos, trouxe uma maior variedade nas representações. “Porém, ainda hoje, é um gênero que objetifica muito a mulher e esperamos que o prêmio traga mulheres fortes nesse estilo, como algumas autoras já nos têm trazido. Talvez o prêmio apresente outras possibilidades para o gênero, que não a objetificação da mulher. Mas há a curiosidade em como os leitores e o mercado verão esse prêmio e qual será a aceitação, já que é um gênero muito lido no mundo e infelizmente há um certo conservadorismo em relação às mudanças.”

No Brasil, as transformações estão acontecendo aos poucos, mas de forma efetiva. Em 2017, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) trouxe várias autoras com destaque e reconhecimento. “O fundamental é não pensar em literatura feminina e segmentar a literatura escrita por mulheres, pois assim como homens, as mulheres podem escrever qualquer estilo. O processo é lento, mas encorajar as mulheres a mostrarem seus textos é também fundamental”, conclui Juliana.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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