Taxa Selic a 6% ao ano: o que muda na sua vida?

1 de agosto de 2019 - Por

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Após 16 meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 6,5% para 6% ao ano. O novo corte coloca a taxa básica de juros da economia brasileira no menor patamar histórico desde 1999.

A redução ficou dentro das expectativas dos especialistas que esperavam um corte de 0,25 ou 0,5 ponto percentual. A Selic estava em 6,5% ao ano desde março de 2018.

De acordo com o comunicado divulgado pelo BC, os indicadores recentes da atividade econômica sugerem possibilidade de retomada do processo de recuperação em ritmo gradual.

O Comitê afirma que o processo de “reformas e ajustes necessários na economia brasileira” tem avançado, mas ressalta que sua continuidade “é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia”. Veja a nota completa.

“O BC foi cauteloso com o corte, porque não adianta baixar a taxa de juros, sem ter uma contrapartida das reformas. Como houve um sinal positivo com a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, que também deve ser aprovada na segunda votação e depois no Senado, eles decidiram reduzir a taxa”, comenta Nadja Heiderich, professora e coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica (NECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

Como a taxa Selic a 6% afeta a economia?

A Selic é o principal instrumento para controlar a inflação e funciona da seguinte forma: quando a inflação está alta, o Banco Central sobe a taxa de juros, resultando em queda no consumo da população e produção para segurar o aumento dos preços.

No entanto, quando a inflação dá sinais de desaceleração, o BC corta a taxa de juros, estimulando o consumo, a produção e, consequentemente, o crescimento da economia.

Apesar do Copom manter a expectativa de controle da inflação, Heidrich acredita que os primeiros sinais de melhora na economia devem aparecer no fim de 2020.

“A ideia é incentivar o consumo, porque o crédito fica mais barato, mas depende muito de outros fatores também. O momento é delicado e é necessário aprovar outras reformas como a Tributária para incentivar a economia”, diz.

Na análise do Boletim Focus – publicação online semanal do Banco Central – publicado no dia 29 de julho, a Selic pode cair mais e alcançar a marca de 5,5% até o fim de 2019.

Taxa Selic a 6%: como ficam seus investimentos em renda fixa?

A Selic serve de parâmetro para a rentabilidade dos investimentos em renda fixa, mas com o cenário de juros baixos algumas aplicações financeiras podem ter resultados inferiores. Neste caso, o investidor conservador ainda pode optar pelas LCIs, LCAs (Letras de Crédito) e debêntures que são isentas de Imposto de Renda, segundo Nelson de Sousa, professor de Economia e Finanças do Ibmec RJ Nelson de Sousa

Outra opção que pode ser interessante são os títulos públicos indexados à inflação como o Tesouro IPCA. Por outro lado, o mercado de renda variável para investidores de perfil moderado e arrojado, pode sofrer oscilações e aumentar a remuneração das ações.

“Diversificar a carteira de investimentos é uma boa opção sempre, porque se você sofrer algum revés, não terá seu dinheiro aplicado em um único produto”, recomenda Sousa.

Lembrando que antes de decidir investir o seu dinheiro, você precisa estudar bem as aplicações e avaliar se vale a pena no seu caso. Há uma infinidade de investimentos e você deve escolher a mais rentável para você, de acordo com o seu perfil.

Corte da taxa de juros: Brasil x EUA

No mesmo dia que a Selic caiu, o Federal Reserve (Fed, banco central do Estados Unidos) cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, movendo as taxas à faixa de 2% a 2,25%. Foi a primeira redução em 11 anos, desde a crise financeira de 2008.

As taxas de juros dos EUA abalam todo o sistema financeiro internacional e com o corte do Fed, o dólar deve ficar mais barato.

A redução na taxa de juros também pode incentivar o capital estrangeiro a investir em países como Brasil, que agora tem uma taxa de juros mais atrativa. “O corte na Selic também sinaliza que o Brasil é um país confiável para abrir um negócio, porque a atividade econômica terá continuidade”, finaliza Sousa.

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Carol Nogueira

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