Taxa Selic mantida em 6,5%: como isso te afeta?

21 de setembro de 2018 - Por

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa Selic em 6,5%, em reunião encerrada nesta quarta-feira (19). “A maioria do mercado apostou na sua manutenção”, ressaltou Walter Franco, professor de economia do Ibmec/SP.

É a quarta vez consecutiva que o Copom decide manter a taxa básica de juros da economia neste patamar. Antes, ela sofreu 12 quedas consecutivas – a última na reunião que aconteceu em março.

Esse ciclo de quedas aconteceu porque seu principal papel dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. De acordo com o comunicado divulgado pelo BC, a taxa foi mantida neste patamar porque o nível de ociosidade da economia contribuiu para que a inflação permanecesse em níveis baixos. Porém, o Comitê ressaltou que a inflação só permanecerá baixa no médio e longo prazo – algo fundamental para que a Selic permaneça neste patamar – se o processo de reformas e ajustes na economia brasileira também continuar. Veja aqui o comunicado completo.

Lembrando que o principal papel da taxa básica de juros dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. Por isso, caso a inflação permaneça em níveis baixos, não há motivos para elevar novamente a Selic.

Taxa Selic x alta do dólar

Manter a Selic mais baixa em um cenário onde a taxa de juros americana sobe significa que o Brasil passa a ser menos atrativo para investidores do mundo todo, que preferem aplicar seus recursos nos Estados Unidos – uma economia mais sólida e que, agora, oferece boa remuneração. Com essa fuga de capitais, o dólar também sobe (saiba mais sobre isso aqui).

“O cenário de juros baixos afeta o brasileiro especialmente por conta dos importados, que ficam mais caros com a alta do dólar. Nesse caso, as pessoas sentirão um encarecimento de parte dos produtos que dependem de matérias primas importadas, ou mesmo do próprio produto final importado, que chega ao País mais caro”, comenta Juliana Inhasz,professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

Como investir com a taxa Selic a 6,5%

Conhecimento e estratégia são as maiores ferramentas da investidora que quer se dar bem. De acordo com Franco, quem investe em renda fixa – incluindo Tesouro Direto – não precisa se preocupar, pois essa opção continua atrativa. “As taxas, apesar de menores do que no passado e historicamente baixas, ainda oferecem juros reais superiores a muitas economias internacionais, o que faz a aplicação em títulos locais ainda uma boa opção.”

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Inhasz defende que, com parte do mercado esperando uma elevação de juros, pode ser uma boa optar por investimentos que paguem os juros do mercado. “Nesse caso, perfis conservadores podem optar por títulos com retorno atrelado ao juro”, diz.

Além disso, vale a pena lembrar da simulação feita pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), que aponta que, com a taxa Selic a 6,5%, a caderneta de poupança é mais rentável do que uma série de fundos de renda fixa – especialmente aqueles com taxas de administração salgadas, superiores a 1% ao ano.

De acordo com a Anefac, as poupanças terão rendimento de 0,37% ao mês com a Selic a 6,5% ao ano. Para saber em quais casos a poupança vale a pena, clique aqui.

Por outro lado, a renda variável só deve ser realmente benéfica para quem tem apetite por riscos, já que estamos em um ano de extrema volatilidade – saiba mais clicando aqui. “O mesmo pode-se dizer de moedas internacionais ou fundos a elas atrelados, pois 2018 vem sendo e será um ano de volatilidades”, completa Franco.

Quanto ao futuro da taxa Selic, resta esperar as próximas reuniões. “O Copom ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, descreve o comunicado.

Matéria atualizada dia 21/09 às 13h05.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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