Tempo médio de desemprego é maior entre as mulheres, diz estudo

23 de fevereiro de 2018 - Por

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Conseguir um emprego é mais difícil para as mulheres. O tempo médio de desemprego entre o gênero feminino é de 15,25 meses, enquanto para os homens é de 12,43 meses, revela levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Além disso, as mulheres são menos otimistas em relação ao futuro. Enquanto 58% dos homens têm expectativa de conseguir emprego nos próximos três meses, apenas 50% das entrevistadas possuem a mesma convicção.

Quando analisamos o tempo médio de recolocação para ambos os gêneros, o período fica em torno de 14 meses – maior do que o observado em 2016, quando girava em torno de 12 meses.

“Infelizmente, as estatísticas pendem negativamente para as mulheres. A causa não é conjuntural, é estrutural. Mesmo em momentos de abundância econômica, quem mais sofre com desemprego e outros fatores econômicos é a mulher”, afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Quem é o desempregado brasileiro?

A pesquisa levantou o perfil médio de quem está buscando recolocação no mercado de trabalho:

  • 59% são do sexo feminino;
  • média de idade de 34 anos;
  • 54% têm até o ensino médio completo;
  • 95% pertencem às classes C/D/E;
  • 58% têm filhos, a maioria menor de idade;
    entre os que já tiveram um emprego antes, 34% atuavam no segmento de serviços, enquanto 33% no setor de comércio e 14% na indústria;
  • a média de permanência no último emprego foi de aproximadamente dois anos e nove meses.

Por que o tempo médio de desemprego aumentou?

“O tempo de duração do desemprego continua alto porque a recessão está demorando a se dissipar”, resume Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

De acordo com a docente, o mercado de trabalho, geralmente, é um dos últimos a reagir e retomar depois de crises. “Como a retomada do crescimento é lenta, as empresas ainda estão relativamente inseguras quanto às reais possibilidades de crescimento econômico. Justamente por isso, estão voltando a contratar ainda de forma receosa, o que torna a duração do desemprego elevada.”

É como se houvesse uma grande fila de desempregados e apenas uma pequena porta para todos passarem – a espera é grande, mas, eventualmente, pode ser que a maioria a atravesse e consiga uma vaga.

Topando qualquer negócio

Para o SPC, quem consegue um emprego corre o risco de que a vaga seja, na verdade, informal, ou seja, sem carteira assinada ou em regime de Microempreendedor Individual (MEI).

Marcela conta que a informalidade é uma característica comum nas voltas de recessões. “Como contratar e demitir no Brasil é algo difícil para o empresário, ele só contrata quando tem certeza de que a recuperação econômica acontecerá. Como não temos essa certeza, acaba-se contratando informalmente, com medo da recuperação não se sustentar. Se ela se provar sustentável, aí sim poderemos ver a informalidade migrar para a formalidade.”

No entanto, essa situação gera vulnerabilidade não apenas para o trabalhador, mas até mesmo para a economia. Outra descoberta da pesquisa foi de que 61% dos desempregados estão dispostos a ganhar menos do que no último emprego e as principais justificativas são de que o que importa atualmente é voltar ao mercado de trabalho (23%) e arrumar um emprego para pagar as despesas (22%).

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Para o professor de Economia da IBE-FGV, Anderson Pellegrino, isso não apenas expõe o trabalhador a direitos mais restritos e renda menor como, também, acaba contribuindo para que a retomada econômica seja mais lenta. “Se estamos gerando empregos mais precários e com massa salarial menor, o consumo das famílias e até dos pequenos empresários passa a evoluir de maneira mais lenta, contribuindo, em última instância, para enfraquecer o crescimento econômico”, afirma.

Cuidado com o orçamento

Com a maior parte dos entrevistados aceitando salários menores do que os anteriores, é preciso ter em mente de que a volta ao mercado de trabalho não será tão glamourosa quanto se espera. “Provavelmente, a primeira rodada de contratações será a salários baixos. Essas pessoas voltarão sem o poder de consumo de antes e o orçamento continuará apertado”, alerta Marcela.

Por isso, todo cuidado é pouco na hora de abrir a carteira. O levantamento mostrou que 41% dos desempregados que possuem família são os principais responsáveis pelo sustento da casa. Logo, será necessário arrumar as contas antes de voltar a consumir.

E, quem não organizar a situação, corre o risco de ter algum conflito familiar por conta do desemprego, como 28% dos entrevistados pelos órgãos. Os principais motivos foram a discordância quanto aos gastos da casa (13%) e brigas por causa da divisão do pagamento das contas (12%).

“Atenção ao seu planejamento financeiro pessoal. Faça um bom controle orçamentário e ajuste o padrão de gastos ao que você ganha para evitar excessos, endividamento e não ter dores de cabeça nessa retomada econômica, que ainda é lenta e apresenta algumas fragilidades”, orienta Pellegrino.

Voltando ao mercado de trabalho com tudo

Conforme já vimos, o perfil do desempregado brasileiro tem baixa escolaridade: 54% têm até o ensino médio completo. Para Juliana, isso afeta a busca por emprego porque impacta, especialmente, a predisposição do empregador em pagar salários mais elevados.

“Quanto maior for a fragilidade do perfil do trabalhador – menor qualificação, menor experiência, maiores restrições –, piores serão, provavelmente, as condições que deverão ser aceitas para que a recolocação aconteça de fato”, pontua. Quanto menor a qualificação, menor o poder de negociação – especialmente em momentos com os que vivemos, os quais há uma grande quantidade de desempregados e, para o patrão, é relativamente fácil substituir os trabalhadores.

Por isso, o melhor caminho é buscar qualificação. E não nos referimos apenas a procurar uma graduação ou pós-graduação, mas também fazer cursos presenciais e online – aqui falamos sobre algumas opções.

“Vale até mesmo coisas que não têm impacto direto no seu trabalho, mas que vão se destacar no currículo. O importante é não ficar parado, apesar do desânimo. Essas atitudes até ajudam durante a entrevista de emprego, quando perguntarem o que você fez durante o período de desemprego”, ensina Marcela.

Não desista de enviar currículos, nem tenha vergonha de falar às pessoas que você está procurando trabalho. Faça contatos, peça para ser indicada. “Avalie mesmo as vagas informais, pois nem todas são subempregos. Às vezes é um projeto que vai pagar suas contas naquele mês e colocar seu pé no mercado de trabalho”, finaliza a economista-chefe do SPC Brasil.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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