Tensão entre China e EUA por coronavírus derruba Bolsa nesta segunda (4)

4 de maio de 2020 - Por

Tensão entre China e EUA por coronavírus derruba Bolsa nesta segunda (4)

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -2,02% (78.876 pts)
Dólar: +1,55% (R$ 5,52)
Casos de coronavírus: 105.222 confirmados e 7.288 óbitos (fonte: Ministério da Saúde)*

Resumo:

  • Autoridades dos EUA acusam China de encobrirem extensão do coronavírus no país, causando tensão nas bolsas globais – inclusive a B3;
  • perdas no Ibovespa são ainda maiores por tensão política interna;
  • Brasil ultrapassa 100 mil casos de coronavírus confirmados;
  • Relatório Focus: economia brasileira deve retrair 3,76%, estimam economistas;
  • efeito da pandemia na economia é maior sem isolamento social, conclui estudo;
  • pagamento de benefício para quem teve jornada reduzida ou contrato suspenso por causa do coronavírus começou hoje;
  • auxílio emergencial: mais de 12 milhões devem refazer cadastro.

A tensão entre China e Estados Unidos deixou as bolsas do mundo inteiro avessas a risco, inclusive o nosso índice Ibovespa, que acabou fechando em queda nesta segunda (4).

Resumidamente, de acordo com reportagem da Associated Press publicada no fim de semana, autoridades americanas acreditam que o tigre asiático encobriu a extensão do coronavírus no país, assim como o nível de contágio da doença, como uma forma de acumular os suprimentos médicos necessários para lidar com o vírus.

Na sexta-feira (1), o presidente Donald Trump acusou a China de ter criado o vírus e ameaçou impor tarifas sobre produtos fabricados por lá como forma de retaliação.

Essa briga, quando somada aos já conhecidos impactos da pandemia na economia global, pressionou bolsas do mundo inteiro. No Brasil, o cenário foi aprofundado graças à instabilidade política ainda causada pelas denúncias de Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O Brasil acumula baixas na Bolsa e na saúde: já são 105.222 casos confirmados, mais do que os registrados na China. O estado do Maranhão decretou lockdown na Ilha de Upaon-Açu, que compreende os municípios de São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa. Na cidade de São Paulo, a Prefeitura determinou o bloqueio de vias e, no estado, só será permitido circular de máscara a partir de quinta-feira (7).

Economia brasileira deve retrair 3,76%, estimam economistas

Com as novas – e negativas – expectativas anunciadas por bancos e corretoras para a economia brasileira, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020 caíram de -3,34% para -3,76%, de acordo com o Relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado nesta segunda (4).

O motivo da expectativa de bancos, corretoras, consultorias e gestoras de recursos ter caído é o impacto econômico causado pela pandemia do coronavírus.

Outros dados divulgados no boletim apontam que a mediana da estimativa para a taxa Selic até o final de 2020 é de 2,75% ao ano. Já entre os economistas do Top 5 – ou seja, os que mais acertam suas projeções –, estima-se que a taxa básica de juros alcance 2,50% ao ano até o final de dezembro.

O boletim divulga a mediana das projeções de profissionais do mercado financeiro, cujas estimativas foram coletadas até o final da semana passada.

Por que você precisa saber? Todas as segundas-feiras divulgamos neste resumo o resultado do Boletim Focus – e, semana após semana, os economistas vem estimando uma retração cada vez maior na economia. Isso significa que os efeitos da crise provocada pela pandemia do coronavírus serão ainda mais profundos e exigirão mais de agentes públicos, econômicos e da população.

Tensão entre China e EUA por coronavírus derruba Bolsa nesta segunda (4)

Efeito da pandemia na economia é maior sem isolamento social, conclui estudo

Sabe-se que as medidas de isolamento social que os governos tomam para conter a pandemia do coronavírus têm impacto na economia. No entanto, de acordo com análise da MCM Consultores, permitir a livre atividade econômica – logo, o alastramento do vírus – tem um custo ainda maior.

Em entrevista para o UOL, o economista Vitor Kayo, responsável pela análise comparativa, afirmou que a política de isolamento social pode aprofundar a recessão econômica no curto prazo. No entanto, há evidências de que os benefícios econômicos no longo prazo vão além de compensar os custos.

“De modo geral, o Brasil iniciou as medidas de isolamento social relativamente cedo e, em termos econômicos, isso pode ser uma vantagem no pós-pandemia. Evidentemente, isso depende de as medidas serem eficazes para minorar a mortalidade e de uma estratégia de saída do distanciamento social bem elaborada pelas autoridades competentes”, afirmou.

Por que você precisa saber? Porque o estudo mostra que não existe real dilema entre salvar vidas e resgatar a economia: uma sociedade é feita de pessoas e não há forma de salvar a economia sem cuidar da população.

Teve jornada reduzida ou contrato suspenso por causa do coronavírus? Pagamento de benefício começou hoje

As trabalhadoras que sofreram com a suspensão temporária do contrato ou redução do salário podem receber o pagamento do benefício emergencial a partir desta segunda por meio do Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal.

O benefício é proporcional ao valor do seguro-desemprego a que teria direito, que considera a média dos últimos três salários, e pode variar de R$ 1.045 a R$ 1.813,03.

Desta forma, quem teve um corte de 25% na jornada, receberá 75% do seu salário e 25% do que seria o seu seguro-desemprego em caso de demissão. Caso a redução seja de 50% no salário, receberá o equivalente a 50% da parcela seguro-desemprego – e assim em diante. Já quem teve o contrato suspenso poderá receber 100% da parcela do seguro-desemprego, exceto no caso de funcionários de empresas com receita bruta superior a R$ 4,8 milhões. Aqui, o colaborador recebe 30% do salário mais 70% da parcela do seguro-desemprego.

Por que você precisa saber? Para aliviar, mesmo que um pouco, o sufoco causado pelas mudanças na sua renda. Quem deve solicitar o benefício emergencial é o empregador. À funcionária, cabe acompanhar o processamento do pedido por no endereço https://servicos.mte.gov.br/#/trabalhador e pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

Auxílio emergencial: mais de 12 milhões devem refazer cadastro

Não faltaram pessoas que se cadastraram para receber o auxílio emergencial e estão até agora esperando uma resposta. De acordo com a Caixa Econômica Federal, são pelo menos 12,4 milhões de brasileiros. Essas mesmas pessoas tiveram seus cadastros avaliados como “inconclusivos” – com dados divergentes e informações que não puderam ser analisadas – e terão que refazer seus cadastros pelo site ou aplicativo do programa.

Por que você precisa saber? Teve seu cadastro determinado como inconclusivo? Então, fique de olho para refazer o processo. Quem teve a solicitação negada está excluída definitivamente.

*Até o fechamento do texto

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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