Tensão entre governo e STF derrubam Bolsa nesta quinta (28)

28 de maio de 2020 - Por

Tensão entre governo e STF derrubam Bolsa nesta quinta (28)

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,13% (86.949 pontos)

Dólar: +1,95% (R$ 5,38)

Casos de coronavírus: 419.340 confirmados e 25.945 óbitos*

Resumo:

  • Ibovespa se descola das bolsas internacionais e fecha em queda; tensão de governo e STF por “inquérito das fake news” deixa mercado inseguro;
  • desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas em abril, com queda recorde nos empregados;
  • taxas de juros recuam em abril; juro do cartão de crédito cai para 269%;
  • quem receber o Auxílio Emergencial pode ter que devolver em 2021; entenda

A guinada nas bolsas internacionais não foi suficiente para ajudar a Bolsa nesta quinta-feira (28). O embate entre o governo e o Supremo Tribunal Federal por conta do chamado “inquérito das fake news”– conforme contamos aqui, clique e veja o resumo – deixou os investidores cautelosos. A volatilidade do setor bancário também ajudou a Bolsa a operar no negativo.

Isso fez o Ibovespa se descolar da subida das bolsas de Nova York e Europa, que mantiveram o ritmo positivo apesar da escalada na tensão entre Estados Unidos e China por conta da nova lei de segurança para Hong Kong e da queda de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) referente ao 1º trimestre dos EUA.

O cenário de instabilidade política interno diminui o apetite por risco dos investidores, o que acabou refletindo no principal índice da bolsa brasileira e no dólar, que teve a primeira alta em sete pregões.

Por outro lado, a sanção da ajuda de R$ 60 bilhões a estados e municípios contrabalanceia o receio do mercado. Bolsonaro vetou o trecho da lei que dizia respeito ao salário dos servidores, de modo que eles ficarão sem reajuste salarial até o fim de 2021 – com exceção de profissionais de saúde e assistência social envolvidos no combate ao coronavírus. O mercado financeiro viu o veto do trecho de forma positiva.

Desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas em abril, com queda recorde nos empregados

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril de 2020 subiu para 12,6%, com 12,8 milhões de pessoas desocupadas – 898 mil a mais do que o trimestre anterior – e um fechamento de quase 5 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior. Estes dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desemprego sobe e atinge 12,8 milhões de pessoas em abril, com queda recorde nos empregados

Essa é a maior taxa de desemprego desde o trimestre terminado em março do ano passado, quando alcançou 12,7%. As informações também mostram número recorde de desalentados: 5 milhões de pessoas desistiram de procurar emprego.

Em meio à pandemia causada pelo coronavírus, o Brasil teve queda recorde de 5,2% na população ocupada em 3 meses. Agora, 89,2 milhões de brasileiros estão ocupados, contra 94,1 milhões no trimestre encerrado em janeiro. Comparando com abril do ano passado, também houve queda recorde – 3,4% (3,1 milhões de pessoas a menos).

Taxas de juros recuam em abril; juro do cartão de crédito cai para 269%, informa BC

Os juros bancários recuaram no mês passado, incluindo as operações do cheque especial e cartão de crédito rotativo, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira. O juro do cartão de crédito rotativo para o chamado cliente regular – aquele que paga o mínimo de 15% da fatura dentro do prazo regular – caiu para 269% ao ano em abril, contra 297,9% a.a. em março.

Já a taxa de juros do parcelado do cartão foi de 187,1% em março para 148,6% neste mês. O cliente que não fez nem o pagamento mínimo (chamado de “não regular”) teve que encarar juros de 339,3% em abril, contra 345,3% no mês passado. Considerando todo o conjunto de taxas, os juros totais do rotativo do cartão de crédito pulou de 327,1% para 313,4% este mês.

A taxa de juros cobrada no cheque especial, que era de 130% em março, foi para 119,3% em abril.

Todas essas reduções fizeram com que a taxa de juros médios nas instituições com recursos livres – que não consideram BNDES, crédito rural e imobiliário –, fosse de 46,2% a.a., em março, para 44,5% a.a., em abril, para pessoas físicas. Para pessoas jurídicas, ela foi de 16,6% a.a. para 15,8% a.a. no mesmo período. Assim, a taxa média total, para PF e PJ, passou de 33,1% a.a. para 31,3% a.a. de março para abril.

Quem receber o Auxílio Emergencial pode ter que devolver em 2021? Entenda

Uma mudança feita pelo Senado e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na lei que criou o Auxílio Emergencial pode fazer com que algumas pessoas precisem devolver à União o valor recebido. A nova regra valerá para que receber ao longo deste ano mais que o limite de isenção do Imposto de Renda (IR), que hoje é de R$ 28.559,70 – incluindo salários, aposentadorias e aluguéis, por exemplo.

Trabalhadores que ultrapassarem o limite da isenção terão que devolver em 2021 tudo que receberam, inclusive o dos dependentes. Para essas pessoas, o Auxílio Emergencial funcionará como um empréstimo.

Na hora de fazer o cálculo dos seus ganhos, não precisa incluir as parcelas do auxílio, uma vez que elas não entrarão no cálculo da renda anual.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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