Tudo que você precisa saber sobre Fundos de Crédito Privado

20 de julho de 2018 - Por

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Os Fundos de Crédito Privado surgem como uma opção para quem quer continuar na renda fixa, mas está disposta a se arriscar mais. O risco pode ser alto demais para algumas pessoas, por isso, é preciso conhecer bem esse investimento antes de colocar sua grana lá. Por isso, preparamos este manual, onde você vai saber:

  • O que são Fundos de Crédito Privado;
  • composiçăo da carteira de Fundos de Crédito Privado;
  • para quem os Fundos de Crédito Privado são indicados;
  • vantagens, desvantagens e riscos deste tipo de investimento em renda fixa;
  • como investir em Fundos de Crédito Privado.

O que são Fundos de Crédito Privado?

Eles nada mais são do que fundos em que parte relevante do patrimônio fica aplicada em títulos de renda fixa de emissores privados. De acordo com regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pelo menos 50% do patrimônio líquido desses fundos devem estar alocados em títulos privados.

Geralmente, a rentabilidade é definida por contrato, e depende da categoria e do tipo do fundo. “Há fundos extremamente alavancados que, no geral, apresentam retornos maiores, mas também com risco maior. Há fundos com participação não desprezível de títulos públicos, o que também interfere no rendimento. No entanto, geralmente esses fundos superam o CDI”, diz Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

O valor mínimo de investimento depende de cada fundo, mas, atualmente, é possível adquirir cotas de fundos por R$ 1 mil.

Qual é a composição da carteira de Fundos de Crédito Privado?

A expressão “títulos privados” pode parecer vaga, mas você já deve conhecer os investimentos que compõem a carteira destes fundos: CDB, LCI, LCA e debêntures, no geral.

Para quem os Fundos de Crédito Privado são indicados?

Se você não tem muita experiência em investimentos, melhor deixar esses fundos para depois – eles são indicados para quem já conhece minimamente o mercado.

“É fundamental saber como analisar a composição da carteira, conhecer seu perfil e a tolerância ao risco, ter ciência de que existem riscos dentro desse tipo de fundo e estar apta a aceitar um pouco mais de risco”, conta Inahsz.

Falaremos mais sobre esses riscos a seguir.

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Vantagens e desvantagens

Segundo a professora, as principais vantagens dos fundos de crédito privado são:

  • a liquidez pode ser boa – especialmente aqueles que trabalham com CDBs, debêntures e letras financeiras. “Não faz muito sentido que esses investimentos sejam muito longos, uma vez que, por se tratarem de empresas privadas, é importante que os contratos sejam acompanhados de desempenho da empresa. Sendo assim, geralmente eles possuem vencimentos em prazos curtos”;
  • retornos acima do mercado, geralmente, acima do CDI e de muitos outros investimentos;
  • poder contar com gestores profissionais para cuidar da sua grana;
  • possibilidade de diversificação, afinal, o fundo conta com diversas aplicações em renda fixa.

Já as desvantagens são:

  • Os riscos são maiores do que quando se investe em títulos públicos. “Isso pode ser uma desvantagem se a investidora estiver procurando segurança”, comenta;
  • taxas e custos de administração. “Como fundos de crédito privado necessitam de maior atenção, poderão ter taxas de administração maiores, e inclusive taxas por performance. É importante a investidora ter conhecimento amplo de todas as cláusulas dos contratos que envolvem a aquisição desses fundos para, então, tomar sua decisão”, comenta;
  • geralmente, possuem tributação do tipo “come-cotas” – diferentemente do Imposto de Renda, ela é cobrada a cada seis meses, em vez de uma única vez (no resgate);
  • esses fundos não oferecem nenhuma garantia, tampouco cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – saiba o que é isso clicando aqui.

Riscos dos Fundos de Crédito Privado

São similares aos de fundos em geral – e não são poucos. “Como eles utilizam papéis de empresas privadas, se a gestão da empresa for inadequada ou sua performance for ruim, o fundo pode se desvalorizar, o que implica em perdas para a investidora. Ela pode, inclusive, ter ganhos inferiores àqueles que obteria no mercado, em outras aplicações”, alerta Inhasz.

Existem diversos outros riscos, como o de inadimplência. As instituições financeiras que costumam oferecer este tipo de investimento o fazem para captar recursos para emprestar a outros clientes. Então, caso aqueles que tomaram empréstimo não paguem o que devem à instituição, quem acaba prejudicada é a investidora.

Também deve-se lembrar que eles não contam com o FGC e, como o patrimônio desses fundos vem de papéis de empresas, caso elas não estejam indo bem, os retornos à investidora podem ser bem baixos.

“Um risco adicional é o de administração: se ela não for bem feita, o fundo poderá quebrar, e seus cotistas terão que, em última instância, acionar a Justiça para reaver seus direitos”, completa.

Apesar de, em alguns casos, a liquidez ser alta, existem fundos cujos papéis possuem prazos muito longos – e, nesses casos, há pouca liquidez. Por isso, antes de adquirir uma cota de um fundo de crédito privado, é preciso analisar se você precisará dessa grana em um curto espaço de tempo e se, caso necessite, terá como sacá-la de um jeito rápido.

Para atenuar estes riscos, Inhasz dá a dica: “É importante garantir que o emissor ou entidade responsável seja idônea, e tenha comportamento correto e coerente com o que a CVM espera para instituições deste porte.”

Apesar de poderem, sim, oferecer boa rentabilidade, você precisa analisar todos esses riscos antes de colocar sua grana em um fundo de crédito privado. Não siga modismos, pesquise bastante e seja uma investidora consciente.

“Se a investidora deseja ter segurança total, ainda que com retorno menor e menos liquidez, optará pelo fundo em títulos públicos. Se sua predileção for por retorno maior, ou por liquidez maior, deverá abrir mão da segurança e investir em um fundo de crédito privado”, finaliza.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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