Última votação do ajuste fiscal não resolve problema do governo

24 de agosto de 2015 - Por

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*Naiara Bertão

Bom dia, pessoal.

Estamos no fim de agosto e frio foi o que menos senti neste inverno em São Paulo. E além do sol quente, a umidade desértica acaba com qualquer bem-estar físico. Como um alento, no fim da semana passada, quinta-feira especificamente, entre nuvens e mudanças bruscas de temperatura choveu. Enquanto a chuvinha fina e esparsa tentava amenizar o clima adverso em São Paulo, em Brasília, Dilma respirava (um pouco) mais aliviada. Na quarta-feira à noite foi votada e aprovada no Senado a última medida do ajuste fiscal proposta pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no começo do ano.

Parte da medida aumenta a contribuição previdenciária de empresas de mais de 50 setores da economia e outra parte eleva as alíquotas de importação de produtos, tais como cosméticos e cervejas – má notícia para quem gosta de um bom happy hour. Na prática, isso aumenta a arrecadação do governo em um momento que as contas públicas já apresentam rombo de R$ 45 bilhões em 12 meses até junho. Olhando apenas o primeiro semestre deste ano o setor público (União, Estados, municípios, estatais) até conseguiu economizar R$ 16,22 bilhões. Porém, trata-se do menor superávit da série histórica do Banco Central.

Segundo Levy, a votação da última MP completa ‘estratégia de equilíbrio’ da economia. Em janeiro, a equipe econômica havia estimado uma arrecadação extra de R$ 694 milhões apenas em 2015 a partir da alteração nas alíquotas de PIS/Cofins de importados.

testing_shutterstockFoto: Testing/Shutterstock

A sensação é – por ora – de alívio. Foram tantos bate-bocas, brigas políticas em público e nos bastidores do Congresso, sem contar o desgaste da imagem do ministro da Fazenda e os rumores de que Levy pediria demissão. Houve quem apostasse que as votações das Medidas provisórias do ajuste fiscal não iriam até o fim. Quase nada saiu exatamente como o governo pensou. Houve muita discussão e o time de Dilma cedeu em vários pontos.

Vale lembrar, porém, que só esses ajustes não serão suficientes para recuperar a confiança na capacidade do governo de fechar as contas públicas no azul. A meta diminuiu de 1,2% (R$ 66,3 bilhões) para 0,15% do PIB (R$ 8,7 bilhões). Mesmo assim, ainda há quase meio ano pelo frente e quase tudo que poderia ser feito já foi. É claro, se saíssem as concessões de infraestrutura que, há anos, estão na pauta do governo, o caixa público agradeceria.

Mesmo assim, a chuva foi fina demais naquela quinta-feira para aliviar o clima ruim. Dilma precisará de uma estação interna de flores para conseguir respirar direito. Isso se o movimento pró-impeachment não crescer nos próximos meses.

 

*Naiara Bertão é jornalista formada pela ECA-USP, especializou-se em economia, negócios e finanças. Trabalhou em diversos veículos  de comunicação do país, como Infomoney, Brasil Econômico e VEJA. Escreve sobre os principais acontecimentos econômicos da semana. 

Fotos: Shutterstock

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Naiara Beltrão
Naiara Bertão
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