Vale a pena buscar outra linha de crédito para substituir o Fies?

6 de agosto de 2015 - Por

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As políticas de ajuste fiscal adotadas pelo governo para enfrentar esta crise econômica estão afetando não só quem já está no mercado de trabalho. O período complexo colocou freios também naqueles que têm o sonho de investir no futuro cursando uma faculdade. As novas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) – que tornam o acesso ao empréstimo mais restrito – entraram em vigor já neste segundo semestre.

Entre as novas determinações, está a preferência para as vagas em cursos na área da saúde, engenharia e formação de professores. Além disso, a nota no Enem será usada como critério de admissão (pontuação mínima de 450 pontos para aqueles que fizeram a prova antes de 2010) e os juros subiram de 3,4% ao ano para 6,5%. Com essas novas condições, qual a melhor alternativa para quem não conseguiu o Fies?

Vale a pena tomar um empréstimo? 

O professor de economia e contabilidade do IBE-FGV, Paulo Ferreira, ressalta que hoje não existe nenhum produto no mercado que equipare ao Fies, portanto, ele não aconselha a tomada de um empréstimo, principalmente neste momento de instabilidade. “Ainda que não seja a situação ideal, o mais indicado é ter paciência e aguardar. Eu não tomaria nenhum empréstimo pelo menos até o fim do ano, porque muitas coisas podem mudar. A pessoa corre o risco de comprometer-se agora com juros altos (Selic está em 14,25%) e taxa cair no ano que vem. Em momentos como este, o mercado também costuma reagir criando novos produtos, vale a pena esperar para ver como o mercado vai reagir”, avalia.

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Como as mudanças foram feitas como parte do ajuste fiscal do governo, o especialista acredita que as mudanças podem ser temporárias, por isso a indicação de cautela neste momento para não tomar um empréstimo caro impulsivamente. Mesmo o consignado, que costuma ser a opção mais visada por muita gente, tem custos muito maiores. Enquanto o Fies fica em 6,5% ao ano, o consignado pode variar de 24,5% a 29,6% ao ano, conforme mostra a tabela do Banco Central.

Risco do consignado

O grande problema de tomar o empréstimo consignado, na avaliação do professor, além do custo alto da dívida, é a necessidade de pagamento imediato, tendo em vista que o empréstimo é descontado da folha de pagamento. “O ideal seria a pessoa conseguir um emprego para bancar as parcelas da faculdade e avaliar as possibilidades de conseguir uma bolsa, algo neste sentido. Neste momento, não aconselho de forma alguma a tomada de um empréstimo consignado. Mesmo sendo a opção mais barata de empréstimo entre outras possibilidades de crédito, ainda é muito mais caro que o Fies“, conclui.

Fotos: Shutterstock

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