Você compra apenas pelo prazer de comprar?

6 de dezembro de 2016 - Por

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Em tempos de consumismo exagerado, tenho notado um sinal de alerta: quando o ato de comprar traz mais prazer do que o item comprado em si. É o que está por trás da “terapia de compras”: quem nunca quis afogar as mágoas no cartão de crédito?

Ao realizar uma compra, o nosso corpo libera dopamina, o hormônio do prazer. Quando você entra em uma loja, escolhe uma peça de roupa que gosta, pega o sapato e a bolsa combinando e divide tudo em seis vezes no cartão, a sensação que dá é de puro deleite. Quem não gosta de voltar para casa cheia de sacolas?

Entrevistei recentemente a economista comportamental Francesca Gino, professora de Harvard especializada em tomada de decisões. Ela, que esteve no Brasil em novembro para a última edição do KES – Knowledge Exchange Sessions, em São Paulo, avaliou o avanço do consumismo como parte da nossa busca por status.

“Ao longo do tempo, o mundo adotou o consumismo – a cultura do consumo. Compramos bens e serviços não para satisfazer nossas necessidades fundamentais, mas para obter status social. Comprar o produto pode acabar trazendo mais prazer para o consumidor do que o seu próprio uso”, destacou a acadêmica.

É o que tenho visto no dia a dia em e-mails e comentários de leitoras. Em um episódio do nosso novo podcast (você já ouviu?), uma leitora revelou que precisava comprar algo todo dia – o que quer que fosse. Uma roupa, um livro ou um batom: era preciso comprar algo novo todo dia. Eis um exemplo claro de que a compra em si vale mais do que o acesso ao produto.

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O nosso consumo é emocional. No meu TEDx, falei como uma bolsa é mais do que uma bolsa: é poder, é status, é aceitação. A pessoa compra a bolsa, mas o que ela busca com aquilo são outras coisas. No entanto, parece que o produto é mais embaixo: não importa o que, mas precisamos comprar.

Quem nunca saiu com uma sensação de vazio de um shopping center, sem nenhuma sacola ao menos? Nós gostamos de nos dar presentes – mas, pelo visto, a compra é mais importante do que o item em si.

Por isso, recomendo cautela com compras: você pode estar simplesmente buscando uma recompensa emocional, que bolsa ou celular novos nenhum podem trazer. Se você se reconheceu neste texto, o melhor a fazer é parar para avaliar: o que você está realmente buscando? Somente com a resposta para esta pergunta é que você poderá reavaliar sua relação com o consumo.

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Fotos: Shutterstock.

 

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Carol Sandler
Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira. Apresenta o quadro "Carol, cadê meu dindin" semanalmente no programa SuperPoderosas, da TV Band. Autora do livro "Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. Colunista do site da revista CLAUDIA e do portal Tempo de Mulher.

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