Voto consciente: como escolher meus candidatos para o legislativo?

26 de setembro de 2018 - Por

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Vamos fazer um exercício rápido: você lembra em quais candidatos a senadores votou nas eleições passadas? E deputados? Sim, você precisa pensar bastante antes de eleger um presidente ou governador – membros do Poder Executivo, assim como prefeitos –, porém, também é preciso dar a mesma atenção ao Poder Legislativo.

O resultado político depende de todos os eleitos, não apenas do presidente. Ele não consegue governar sem o Congresso, nem o governador sem a Assembléia estadual, ou o prefeito sem a Câmara de Vereadores.

“A cidadã precisa lembrar que o seu voto para deputado federal e para senador pode acabar ajudando na composição da coalizão de governo que dará base ao próximo Presidente da República, ou pode acabar ajudando a formar o grupo que ficará em oposição ao próximo presidente. O voto para o Legislativo importa – e muito!”, alerta Jaqueline Zulini, pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp/FGV).

Para que servem os senadores e deputados do Legislativo?

Ao contrário do que muitos pensam, a condução de um país como o nosso não está só nas mãos do Poder Executivo mas, sim, dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um tem seu papel. O Legislativo, por exemplo, além de ser responsável pela elaboração das leis, tem como dever fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, ou seja, do seu dinheiro.

“É importante que a eleitora dê valor às eleições legislativas e escolha bem o seu candidato, porque o seu voto pode dar assento ao próximo representante que terá tanto que avaliar o emprego dos impostos arrecadados quanto tomar parte da discussão e votação de propostas mais tangíveis à população, como medidas econômicas e sociais, por exemplo”, diz Zulini.

Nessas eleições, além de deputados federal e estadual, você também terá que votar em dois senadores/as.

Como escolher seus candidatos a deputados e senadores?

A escolha deve ser tão consciente quanto aquela feita para presidente e governador. Para que haja consciência, a pesquisadora lembra que você precisa ter clareza sobre suas próprias opiniões políticas. Você é mais sensível a quais áreas? Direitos humanos? Segurança pública? Questões de gênero? Meio ambiente? Economia? Quais são suas opiniões sobre esses e outros temas?

Com essas questões claras, hora de procurar candidatos que tenham as mesmas preocupações, estudando suas propostas para identificar quem mais se aproxima das suas próprias expectativas de governo. Mas não para por aí.

“A eleitora não pode ficar satisfeita só com as promessas de campanha. Ela precisa fazer um esforço de se informar com mais profundidade. Pode começar pesquisando a biografia do candidato. Se ele ou ela já tiver ocupado cargos eletivos, fica mais fácil encontrar as propostas de lei que ele já apresentou e que tipo de posições costuma defender na prática em sites institucionais das casas legislativas”, aconselha.

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Em vez de querer explodir a Câmara dos Deputados, que tal votar em representantes bacanas?

Além disso, fica fácil descobrir se o/a candidato/a é ou não “ficha suja” e se enriqueceu na vida política através de consultas ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que lista tanto a situação das candidaturas como a declaração de bens dos candidatos.

Em caso de candidato novato, nada como uma boa pesquisa na internet para descobrir o passado pessoal, histórico profissional, experiências prévias e eventuais polêmicas ou problemas com a Justiça. Vale reforçar aqui o cuidado para checar a confiabilidade das fontes de pesquisa, para que você não corra o risco de ser influenciada por boatos e notícias falsas.

Para ajudar na decisão, alguns sites e veículos de imprensa disponibilizaram ferramentas que calculam sua afinidade com alguns candidatos, como o Match Eleitoral, da Folha de S. Paulo (apenas SP, RJ e MG), e o TemMeuVoto.

Você também pode dar a chance de eleger candidatos relacionados a pautas de minorias, como negros, indígenas e transexuais. Vale a pena conhecer as plataformas Voto em Preto , que lista os candidatos negros e suas propostas, Ruralômetro – criada pela Repórter Brasil, mostra o comportamento dos parlamentares em relação ao meio ambiente, causas indígenas e trabalhadores rurais – essa lista do NLucon, com candidatas travestis e mulheres transexuais e essa lista do site Poder360 com candidatos indígenas.

A seguir, falaremos sobre a importância de eleger candidatas mulheres para o Legislativo. A plataforma Ela Candidata lista todas as candidatas ao Senado, além de propostas de candidatas ao Plenário e ao Executivo.

Coerência é tudo

Lembra que o Executivo não governa sem o Legislativo? Isso significa que para governar, o presidente da República, por exemplo, terá que compor uma coalizão de governo com os partidos eleitos ao Congresso.

Por isso, Zulini defende que, do ponto de vista racional, não faz sentido votar em um deputado progressista e um presidente conservador, ou vice-versa.

“Isso dificulta a formação de governo. A melhor estratégia é reconhecer suas próprias preferências políticas e procure votar em candidatos aos cargos legislativos e executivos que estejam alinhados às mesmas tendências políticas”, recomenda.

Nessa thread no Twitter, o usuário @gabrieldread lista algumas dicas valiosas para votar bem:

Vote em mulheres para o Legislativo!

Não é papinho: vários estudos e especialistas do mundo inteiro defendem que as mulheres são melhores representantes políticas do que os homens – incluindo questões como menos corrupção, projetos de lei mais impactantes, menos abstinência etc.

Uma delas, realizada por pesquisadores da University of Warwick University of Michigan (Reino Unido e EUA, respectivamente), afirma que, quando uma mulher é eleita, o risco de corrupção em seu governo é bem menor quando comparado ao de um homem eleito.

“Eu só voto em mulheres para o Legislativo porque a qualidade da representação política aumenta quando mulheres estão no poder. Se eu pudesse dar apenas um conselho, seria esse: vote em mulheres”, afirma Sérgio Praça, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV).

Somos mais da metade do eleitorado brasileiro, mas ainda temos pouquíssimas mulheres representando nossos interesses. Apenas 10% de nossos representantes são mulheres, índice próximo a países do Oriente Médio, do norte da África e países árabes. Por isso, ocupamos o 115º lugar no ranking de mulheres na política, dentre 138 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI).

“O problema imediato é que a legislação sobre os interesses das mulheres continuam sendo escrita por homens. É importante eleger mais mulheres para o Legislativo a fim de equilibrar essa balança. É a única forma das questões femininas ganharem mais audiência no Legislativo e terem um tratamento mais sensível à opinião das mulheres”, argumenta Zulini.

E o que aconteceria se as políticas públicas fossem planejadas por mulheres? Você teria menos medo de andar sozinha nas ruas? Teria mais acesso a uma saúde pública de qualidade? Para que isso não fique apenas no plano das ideias, vale a pena dar a chance para mais senadoras e deputadas.

Fotos: Fotolia e Tenor

Matéria atualizada em 28/09 às 10h26.

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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